Páginas

20 de maio de 2012

Conto de um Químico



por Fabiano Fagundes
São Pauling, Ponte de Hidrogênio, noite de 15 de novembro. Um elemento está prestes a ter uma reação precipitada.
Policial: "Atenção, Metil, você está cercado! Seus dias de Radical Livre acabaram!" - Fótons são tiradas pela imprensa
Repórter: "Estamos aqui onde um Radical Livre ameaça se jogar da Ponte de Hidrogênio. De acordo com as autoridades, Metil matou um cara!"
Policial: "Metil, você é culpado por causar envelhecimento precoce, enfisemas, e até câncer! Entregue-se, você precisa ir para CADEIA!"
Metil: "NUNCA! Sou um radical LIVRE! E se alguém se aproximar, eu vou REAGIR!"
Policial: "Cuidado, rapazes, ele tem um número ímpar de elétrons".
Psicóloga: "Ele é instável assim porque teve uma infância isenta de antioxidantes. Policial, deixe que eu vá conversar com ele".
Policial: "Ok, mas tome cuidado! Se chegar muito perto ele pode te roubar elétrons".
Psicóloga: "Não se preocupe, farei uma ligação".
Psicóloga: "Metil, desça daí! Sempre há uma solução!"
Metil: "Não sou mais parte da solução, em breve serei um precipitado".
Psicóloga: "Vim para neutralizar essa situação. Conte-me o que houve".
Metil: "Bem... Tudo começou há um tempo atrás, na ilha do Mol. Encontrei amina perfeita na balada e fui xavecá-la. Afinal, precipitado que sou, decantada eu entendo".
“Aê, Amina! Se beleza desse cadeia, você seria uma aromática, sua cheirosa!” Ela riu potássios! “KKKK”...
"Senti que estava rolando uma química entre nós. Tinhamos uma ligação muito forte, sabe? O nome dela era Cátion, era uma garota muito positiva. Mas com o tempo a relação foi ficando saturada. Eu dizia: “O amor é fogo que arde sem se ver”. Ela respondia: O nome disso é METANOL!"
“Metanol?” – disse eu. Foi então que descobri que Cátion era uma DEPENDENTE QUÍMICA. Fui trocado por um ÁLCOOL!
Amina pisou no meu coração com sua Butinona. Minha vida amorosa seguia o Princípio da Incerteza. Era como viver uma meia-vida!
Fiquei tão negativo que nem as piadas do ácido crômico me alegravam mais. Sentia-me mais solitário do que o hidrogênio, que nem família tem!
Minha instabilidade gerou um câncer e causou uma morte. Por este crime, passei a ser perseguido como se fosse o “Amoníaco do Parque”.
Fui preso e o delegado me disse que tinha direito a uma ligação. Quis ligar pro meu AVOGADRO, mas o número dele era muito grande, nunca decorei…
Eram muitos os elementos estranhos naquela cadeia isomérica. Todos CIS-mados e TRANS-tornados comigo.
Minha cela estava cheia de elementos TRANS. Fiquei me perguntando se aquela seria uma cadeia HOMOcíclica… Recebi vários Alcenos e, ao ouvir Alcino de recolher, pensei: Vou entrar pelo Alcano!
Devem ter me confundido com o Grafite, pois estavam botando pressão pra me fazer diamante.
Já na cela ao lado ficavam o Mercúrio, o Césio 137 e o Ácido Sulfúrico. Denominavam-se “os intocáveis”. Muito perigosos.
Alguns elementos acabavam Pirano e indo parar na ala psiquiátrica. Como o Detergente, aquele bipolar. Que rapaz mais tensoativo!
Era uma cadeia fechada de segurança máxima. Os muros eram cheios de spin e cerca-elétron.
Às vezes, no silício da noite, Lia na Kama Robson Crusoé Francês pra tentar me manter mais Eletropositivo.
Meu amigo Frâncio era o mais bem informado pq vivia do lado do Rádio
– “Ei Metil, sabia que Bela Magrela Casou com Sr Barão Ratão?”
De vez em quando ligávamos o Rádio pra ouvir Carbono Vox ou KCl - "Quem sabe eu ainda sou uma moleculinha..."
Sentia saudade de tudo! Do bilhar com meu amigo Dalton. Do pudim de passas da padaria do Thompson. Até das visitas ao Planetário Rutherford.
Então resolvi que iria fugir!

Psicóloga: "Como fez? Pagou Propino?"
Metil: "Não, quebrei aquela cadeia!"
Em uma rebelião, consegui a energia de ativação necessária. A chapa calefou! Eu e meu inflamável amigo C4H10 butano fogo em tudo e fugimos.
Mas não sou nobre como aqueles gases. Vivo sem um Níquel! Até meu ex-camarada Urânio, que enriqueceu na Coreia, virou as costas pra mim.
Como viu, minha vida sempre foi um Cobre! Eu só me Ferro!
Psicologa: "Calma, Metil, Metalize energias positivas."
Metil: "Chega! Estou super-saturado dessa vida".
Psicóloga: "Ora, vamos! Seja covalente e enfren..... NÃÃÃÃÃOOO!!!"
Metil: “IIIIIIIUUUUUUUPAC!!”
Repórter: "Que barulho foi esse?"
Psicóloga: "Ele pulou!"
Policial: "Esse não reage mais…"
6 padres Carbonos e 6 freiras Hidrogênios se aproximam.
Repórter: "O que vcs estão fazendo?"
Padres: "Benzeno. Vamos usar H2O-ly.
Repórter: "O q é isso?"
Freiras: "Água Benta."
Psicóloga: "Ei, esperem! Vejam, há um bilhete no bolso dele!!!"
“Cátion, eu te A(6x10²³), meu Sulfeto (S2) é seu. Sulfato de Berílo (BeSO4), Metil”.


Um comentário:

  1. NOVO OLHAR SOBRE A MATEMÁTICA,
    http://www.ufpa.br/beiradorio/novo/index.php/leia-tambem/124-edicao-93--abril/1189-novo-olhar-sobre-a-matematica

    Quem quiser material, fazer capacitação, etc, é gratuito, peça: jbn@ufpa.br

    ResponderExcluir

VOCÊ É SEMPRE BEM VINDO. VOLTE SEMPRE MAS, NÃO VÁ EMBORA SEM COMENTAR!!!